segunda-feira, 9 de março de 2026

Sessão #54 (LotFP)

 

Sessão #54   28/02/2026


A Rhian, exausta e marcada por nódoas negras, lutava para concentrar-se nas suas magias enquanto o grupo lidava com as consequências de um aluimento de terras durante uma noite gelada de primavera. O vazio deixado pelo ato heroico de Valdrick, que se sacrificara contra o Juiz, ainda ecoava entre os companheiros quando um novo vulto surgiu no horizonte das Terras Ermas.


Sob o uivo de ventos fustigantes que faziam pedregulhos e pó dançar entre os penhascos das Terras Ermas, o grupo avançava com cautela pelo terreno. Foi então que, por entre a névoa de poeira à esquerda, surgiu uma silhueta humana em queda livre, empurrada pelas rajadas violentas. O homem executou um meio mortal improvisado, rolando sobre o solo rochoso antes de se erguer a meros dez metros do grupo. Vestido com armadura de couro, arco e um escudo às costas que amorteceu o impacto, o desconhecido exibiu de imediato o instinto de um sobrevivente.


O encontro inicial foi carregado de uma tensão elétrica. Ao avistar o grupo — e em particular a figura robusta do anão Van Revils — o homem levou a mão ao punho da espada, cerrando os olhos para filtrar o pó no ar. Num tom que misturava esperança e incredulidade, ele soltou um grito que cortou a ventania: "Valdrick? Valdrick, és tu?". A voz, embora humana, carregava uma entoação estranha, um sotaque que ressoava como pedra a raspar em pedra, típico da língua anã.

"Quem quer saber?", retorquiu Van Revils, estranhando a familiaridade. O homem, identificando-se como Rais-Manike, não recuou. O diálogo que se seguiu revelou a profundidade das raízes que unem as gentes do norte de Valoria. Quando o grupo confirmou que Valdrick fora seu companheiro de armas, a postura agressiva de Rais desmoronou, dando lugar a um misto de preocupação e uma tristeza ancestral.


A revelação do seu propósito veio com o desembainhar da sua espada — não num gesto de ataque, mas de prova. Rais estendeu a arma com as duas mãos, permitindo que o anão visse a guarda e a lâmina de fabrico inequivocamente anão. Na base da guarda, brilhava a runa pessoal de Valdrick Snowbeard. Rais explicou então a natureza do seu vínculo: o pacto Blah. A sua família servia e protegia a linhagem de Valdrick há três gerações, uma ligação tão forte que o humano era considerado um "filho adotivo" do clã, herdando não só a arma, mas o dever de lealdade.

Ao receber a notícia da morte heróica de Valdrick, Rais fica transtornado, o seu rosto transforma-se numa máscara de luto profundo. Contudo, o seu código militar e o respeito pelo seu mentor falaram mais alto. "Se o Valdrick decidiu manter-se na vossa presença e permitiu que o acompanhassem, é porque sois pessoas de bem", declarou, num momento de introspeção solene. Num gesto de honra, Rais-Manike jurou dedicar os seus esforços às demandas do grupo, vendo neles os herdeiros do julgamento de Valdrick.


O grupo, agora com sete membros (e o fiel obreiro Thaldon), retomou a marcha. Rais, o novo guardião do legado Snowbeard, integrou-se na formação com a promessa de que a sua espada, forjada pelo próprio Valdrick, continuaria a abrir caminho através das sombras das Terras Ermas.


A exploração prosseguiu para oeste, onde a natureza parecia ter sido chicoteada por um fogo antigo. Ali, entre rochas calcinadas e sem vegetação, o grupo descobriu uma fissura colossal que emanava um calor antinatural. Ao descerem pelas escadarias toscas esculpidas na pedra, depararam-se com símbolos perturbadores: uma chama invertida e uma coroa de chamas sobre uma cabeça inchada, pintadas com sangue seco. O mistério desvaneceu-se na escuridão: tratava-se de um local de adoração a Moloch, o Demon Lord da Fome Devoradora, um culto que se julgava extinto há 400 anos.

Nas profundezas da caverna, espiaram um ritual silencioso e brutal. Um clérigo careca, com o peito marcado por queimaduras, conduzia cânticos não-verbais perante dois indivíduos, enquanto as paredes da caverna pareciam pulsar com uma luz mágica. O perigo tornou-se evidente quando, na noite seguinte, a fissura projetou um feixe de luz alaranjada que rasgou os céus, sinalizando o progresso de um ritual sombrio.


A urgência de avisar o Lorde do outpost levou o grupo a bater em retirada, mas o caminho de regresso guardava um último desafio. Uma silhueta alada, um hipógrifo jovem e visivelmente furioso, com marcas de queimaduras no peito, bloqueou a passagem. O grito estridente da criatura paralisou parte do grupo, forçando-os a preparar as armas para um combate que ditará se as notícias sobre Moloch chegarão ao seu destino.

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