quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sessão #58 (LotFP)

 

Sessão #58   25/04/2026

A madrugada de 7 de maio de 924 trouxe um prenúncio sombrio através de um sonho vívido de Aelbrin. Na visão, ele caminhava descalço por terras enegrecidas até uma fortaleza cujas muralhas derretiam como cera. Dos portões saiu Lord Fredrick Warburton, mas transfigurado: face pálida, veias como metal incandescente e olhos que eram fornalhas profundas. Sentado num trono de pedra preta que cresceu da própria terra, o Lorde proferiu palavras enigmáticas: "Tu vieste antes do fogo. Ainda podes escolher o teu lugar nele". Aelbrin acordou com o sabor a fumo na boca e a certeza de que a sua divindade, Rholmos, o estava a testar.

Ao amanhecer, o grupo explorou o outpost devastado. Ithil e Rais-Manike detetaram marcas de um movimento massivo: cerca de 400 pessoas (provavelmente sobreviventes capturados), animais e carroças, conduzidos num ritmo desanimado em direção a oeste. Nas ameias traseiras do outpost, Rais-Manike avistou uma dúzia de corpos amontoados no fundo do penhasco, a 100 metros de profundidade, indicando que foram atirados ou saltaram durante o ataque. A investigação sugeriu traição ou intervenção mágica, pois os portões principais foram abertos por dentro.

Seguindo gotas de sangue fresco, o grupo desceu às escadarias do templo sob o outpost. No interior, Aelbrin sentiu uma opressão divina intensa, confirmando que a divindade do templo, Azkharon (Deus do Fogo e Desespero), parecia reanimada e atenta. No centro do salão do púlpito, imaculadamente limpo de cinzas por forças não naturais, encontraram um coração pulsante em chamas na gravura em baixo-relevo.

O confronto iniciou-se quando a figura zombificada de Ceowulf, com olhos de fogo e uma máscara sem feições, saltou do varandim. Todas as portas se fecharam, separando o grupo, ficando Aelbrin, Van Revils e Rais-Manike no salão. Van Revils e Rais-Manike trespassaram o coração com as armas, libertando chamas em vez de sangue. No auge do combate, Ceowulf,desferiu uma carga devastadora que derrubou Aelbrin num golpe fatal. Contudo, num esforço heróico final, o clérigo arremessou o seu último frasco de Holy Water contra o coração enquanto tombava. O impacto criou uma nuvem de vapor e luz que, combinada com uma marretada final de Van Revils, estilhaçou o órgão como se fosse pedra.

No varandim surgiram mais figuras: dois elementos não reconhecidos e o próprio Lord Fredrick Warburton, todos com pele enegrecida e olhos de fogo. Enquanto o Lorde iniciava uma conjuração poderosa, Ithil utilizou palavras em élfico antigo para abrir magicamente as portas seladas do templo. Perseguido pelas entidades de fogo, o grupo correu pelos corredores até chegar ao fosso.

Rhian utilizou o feitiço Levitate para auxiliar na descida apressada. No topo, Van Revils segurou a porta contra a força inumana do Lorde até ao último segundo, antes de se lançar num rapel desesperado pela corda. O anão acabou por cair sobre Morgan no fundo do poço, e ambos ficaram feridos com o impacto. O grupo encontra-se agora refugiado nas cavernas inferiores, na zona outrora habitada pelos babuínos, enquanto o eco do fogo de Azkharon ressoa acima deles.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

Sessão #57 (LotFP)

 

Sessão #57   11/04/2026


21 abril 924

Partimos do Outpost carregados com materiais alquímicos para equipar o laboratório. A viagem é lenta devido ao peso excessivo, especialmente para o Van Revils, que segue sobrecarregado com a sua armadura.

Ao chegarmos ao baixio do rio, detetamos na margem arenosa (lado da floresta) pegadas grandes e concentradas de uma criatura, que o Aelbrin identifica como sendo de um urso.

Chegamos ao Shrine de Rholmus ao anoitecer. Ao passar pela arcada mágica, as nossas roupas são limpas da lama do rio e ficamos refrescados com um aroma a rosas.


22 abril a 5 maio 924

Estabelecemo-nos no santuário para um período de descanso, estudo e trabalhos alquímicos.

Identificação de Itens:

  • Máscara de Bronze: Revela ser um item de grande poder. Concede imunidade total ao fogo (não apenas resistência). Contudo, tem uma natureza nefasta: tenta fundir-se com a pele do utilizador (alimentando-se dela) e emite sussurros sobrenaturais. Existe o risco real de quem a use perder a vontade própria para a máscara.
  • Rod of Office (Cetro do Juiz): Identificado como uma Maça Mágica. O portador atrai atenção de forma não natural (compulsão mágica). Uma vez por dia, permite dar um comando de uma única palavra (ex: "Ajoelha-te", "Morre", "Pára"). O alvo (até 30 pés) deve passar num teste contra magia ou obedecerá durante uma ronda.
  • Estudos e Produção
    • Rhian e Cadwyn dedicam-se ao estudo de magia.
    • Aelbrin produz 1 frasco de Holy Water.
    • Hob passa o tempo a pescar no rio, garantindo algumas provisões de peixe fumado.

6 maio 924

Partimos de regresso ao posto avançado sob uma chuva miúda. Perto do destino, vemos uma coluna de fumo vinda da direção do Outpost.


Ouvimos vozes grossas e articuladas atrás de grandes pedregulhos. Aelbrin e Rais-Manike esgueiram-se por uma ranhura e avistam três ogres (com cerca de 3 metros de altura) transportando sacos e arrastando uma mulher humana amarrada, com as roupas rasgadas.

O grupo tenta intercetar as criaturas com disparos à distância, no intuito de salvar a humana. No meio da escuridão e da confusão, um dos disparos acaba por atingir acidentalmente a mulher prisioneira. Os ogres riem-se e desaparecem no desfiladeiro em direção a Noroeste.


Chegamos ao Outpost durante a noite e encontramos um silêncio sepulcral. O cheiro a queimado é intenso. A paliçada exterior foi derrubada de fora para dentro e o ribeiro está seco.

Ao entrarmos, deparamo-nos com uma carnificina: cerca de 20 soldados foram pendurados em estacas, alguns desmembrados ou queimados vivos. Reconhecemos os rostos dos soldados que ali serviam.


As portas da mansão estão escancaradas. No interior, tudo foi saqueado e revirado. O cadeirão do Lorde está tombado, há papéis e tinta espalhados pelo chão, mas não há corpos. Não há sinal do Lorde Fredrick Warburton, do seu primo Ulrich, dos cães (Axe e Sword) ou da comitiva próxima (Kewolf e Miriam).


Ithil sente um arrepio e ouve uma voz em dialeto élfico de Valyndor. Uma figura translúcida e encapuzada aparece-lhe brevemente, avisando que não restou ninguém vivo e que os responsáveis seguiram para Oeste. A figura parece ser uma projeção controlada mágicamente à distância e desvanece-se após o aviso.

Pernoitamos nas antigas barracks, que ainda estão de pé apesar dos danos, suspeitando que a mulher levada pelos ogres possa ser a Miriam.


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sessão #56 (LotFP)

 

Sessão #56   28/03/2026

O embate nas entranhas da fissura contra o culto de Moloch foi uma luta desesperada pela sobrevivência num ambiente que parecia o próprio "submundo".

O calor era tão intenso que todos os aventureiros suavam profundamente, mesmo aqueles que nunca tinham suado antes.

O brilho de um poço de lava vivo iluminava a câmara, onde treze cultistas em tronco nu, parecendo quatro deles sargentos marcados pelo fogo e o líder com uma máscara de bronze aguardavam o grupo.


A batalha começou quando o grupo percebeu que a retirada era impossível: labaredas de fogo começaram a sair das paredes do corredor por onde tinham vindo, ameaçando assá-los vivos caso tentassem fugir.

Encurralados "entre o fogo e o fogo", a iniciativa foi lançada.

O anão Van Rebels protagonizou um dos momentos mais brutais do combate. Ao realizar uma carga em linha reta contra um dos cultistas, desferiu uma martelada devastadora com o seu Warhammer diretamente na cabeça do inimigo.

O impacto foi tão violento que o pescoço do cultista torceu de forma não natural; no momento do golpe, um brilho de fogo surgiu nos olhos e boca do agressor, e o seu corpo entrou em combustão espontânea ao cair.

Rais Manike, ao observar a cena, notou que o calor era tão forte que quase penetrava a armadura.

Enquanto o combate físico escalava, os utilizadores de magia tentavam controlar o caos:

Cadwin utilizou a sua funda com precisão crítica contra um dos sargentos azuis, causando um ferimento grave.

Mais tarde, num momento decisivo, a Rhian conjurou um feitiço de Sleep que mergulhou quatro cultistas num sono profundo, equilibrando as contas do combate

.

Rhian focou os seus ataques no líder. Os seus Magic Missiles, que assumiam a forma de folhas, atingiram a figura mascarada, forçando breves pausas no seu cântico gutural em Old Valorian.

Aelbrin saiu da formação com um grito de "sai da frente" e investiu com a sua lança, perfurando um dos iniciados.


O líder do culto, uma figura imponente com uma máscara de bronze demoníaca que parecia estar a derreter em chamas, não ficou passivo.

Ele entoava sons guturais que faziam o poço de chamas "respirar" ao ritmo da sua voz e brandia um chicote de fogo que estalava no ar.

O líder ordenava em voz alta: "Agarrem o anão e empurrem-no lá para baixo! Sacrifício!".

O combate tornou-se crítico para o grupo, com Aelbrin a cair inconsciente sob o peso dos ataques e da exaustão.


A vitória foi selada quando uma nova salva de ataques, incluindo mais projéteis mágicos de Rhian, derruba finalmente o líder.

No momento em que ele tombou, ouviu-se o som seco da máscara de bronze a bater no chão.

Hob, ao recuperar a máscara, sentiu que o metal ainda estava morno e, ao retirá-la, revelou que sob as queimaduras e a pele desfigurada escondia-se o rosto de um elfo.


Com a morte do líder do culto, toda a estrutura começou a vibrar e a desmoronar.

O grupo teve de arrastar os companheiros tombados pelo corredor enquanto o teto colapsava atrás deles.

Conseguiram emergir pela fissura para o exterior, "amassados mas vivos", no exato momento em que a entrada colapsou numa nuvem de pó, fumo e calor intenso.


O rescaldo da batalha deixou marcas profundas, especialmente em Aelbrin e Rais Manike, que ao recuperarem a consciência, descobrem ter ganho uma cicatriz de guerra permanente que lhes reduziu o vigor físico.

Sob a luz do entardecer, o grupo refugiou-se no antigo local de acampamento para lamber as feridas.

Com o uso meticuloso de um kit de primeiros socorros e o calor de uma fogueira — essencial para garantir um descanso reparador apesar de todos se sentirem já "queimados" pelo fogo de Moloch — os heróis conseguiram estabilizar a sua condição.


A 18 de abril, sob um sol de primavera enganadoramente perfeito, o grupo regressou ao Outpost, mas encontrou um cenário drasticamente alterado.

Os portões exteriores estavam trancados em pleno dia, algo inédito, e o silêncio era apenas quebrado pelo som apressado de trabalhos de cantaria vindos do interior da fortaleza.

Após baterem com insistência, foram recebidos com desconfiança; um miliciano acabou por permitir a entrada, avisando que o Lorde Ulrich Barrington havia partido com a sua comitiva e que ordens estritas impediam a circulação de estranhos.


Dentro das muralhas, a tensão era palpável:

Foi imposto um recolher obrigatório ao anoitecer, com patrulhas constantes a percorrer o posto.


Circulavam rumores sombrios sobre o desaparecimento misterioso de uma jovem chamada Celia, que desapareceu durante a noite sem deixar rasto.


O grupo passou os dias seguintes, 19 e 20 de abril, em recuperação absoluta, enquanto a Rhian tentava, sem sucesso devido à falta de um laboratório adequado, decifrar os segredos da máscara de bronze e do braseiro mágico recuperados ao elfo caído.


Finalmente, a 21 de abril, o Lorde regressou ao posto.

Embora não tenham conseguido uma audiência imediata, um soldado entregou ao grupo uma permissão oficial a autorizar a partida.

Antes de abandonarem o local, os aventureiros fizeram questão de deixar uma mensagem escrita detalhando a destruição dos 13 cultistas e o perigo que a seita de Moloch representava para a região.

O grupo partiu então carregando o peso dos seus novos materiais alquímicos, rumo ao shrine, com a promessa de que as Terras Ermas ainda guardam muitos segredos por revelar.


segunda-feira, 23 de março de 2026

Sessão #55 (LotFP)

 

Sessão #55   14/03/2026


O regresso ao Outpost foi subitamente interrompido por um grito estridente que ecoou contra as paredes da escarpa.


No topo de um pedregulho, um hipógrifo de olhar colérico barrou o caminho do grupo. A criatura apresentava um aspeto perturbador, a sua plumagem de águia na parte frontal e as suas patas estavam severamente queimadas, conferindo-lhe um ar de desespero e fúria.

Apesar das tentativas iniciais do grupo de realizar movimentos apaziguadores, o monstro parecia fixado nos humanos, ignorando qualquer gesto de paz.

O combate iniciou-se de forma explosiva quando o hipogrifo, com uma rotação rápida do tronco e um impulso potente, saltou em direção à Cath.

O primeiro ataque, uma bicada feroz, falhou por pouco, raspando na parede de pedra

Contudo, a besta não cedeu; erguendo-se sobre as patas traseiras, desferiu duas garradas brutais. Uma delas atingiu Cat com precisão cirúrgica — um sucesso crítico que a projetou contra a parede da escarpa, deixando-a gravemente ferida e caída no chão.

Enquanto o hipógrifo soltava um guincho de triunfo e se virava para o humano mais próximo, o Rais Manike, este respondeu com um ataque em força. Com um golpe de espada e escudo, Rais Manike atingiu a criatura.


No entanto, o momento mais dramático estava reservado para a Cath. Encurralada entre a vida e a morte, ela entregou-se a um ataque derradeiro. Num último esforço heroico, saltou para cima do dorso da fera como se montasse um cavalo e, ignorando os seus próprios ferimentos, enterrou profundamente no pescoço do bicho a adaga de prata que o grupo encontrara anteriormente.

O sangue jorrou sobre as penas cinzentas e queimadas, mas a criatura ainda se mantinha de pé.

Foi então que a Rhian interveio, conjurando três Magic Missiles que cruzaram o ar como setas de luz.

Os projéteis atingiram o hipogrifo em cheio, fazendo-o tombar finalmente morto, colapsando pesadamente sobre o corpo moribundo de Cath.


Antes de seguirem viagem, o grupo sepultou os restos mortais da heroica Cath e procedeu à recolha de reagentes raros, extraindo o sangue, as garras e o bico da criatura para futuras poções alquímicas.

Ao chegarem ao Outpost a 15 de abril, o grupo procurou imediatamente o Lorde para alertar sobre o culto de Moloch.


O Lorde, alarmado com as notícias de rituais e explosões ouvidas nas redondezas, entregou ao grupo uma bolsa de moedas para financiar uma missão de interrupção imediata do ritual.

Para reforçar as fileiras após a perda de Cath, novos aliados juntaram-se à causa: os combatentes Morgan e Gordon, e a enigmática alquimista Cadwyn, que trouxe consigo conhecimentos de magia e reagentes preciosos.


O grupo partiu para a fissura a 17 de abril, encontrando pelo caminho os restos de um acampamento recente perto da pedreira, onde descobriram um amuleto de madeira queimado com a iconografia do culto.


Já na fissura e à medida que desciam pelas entranhas da terra, o ambiente tornava-se opressivo, o ar seco e o calor abrasador faziam o metal das armaduras escaldar a pele.

Num dos salões, encontraram nichos repletos de ossadas carbonizadas, restos de sacrifícios que pareciam brilhar com uma brasa interna sobrenatural.


Por fim, o grupo atravessa uma ravina onde o próprio chão emanava um calor de lava, forçando-os a correr para evitar danos fatais. No coração das profundezas, desembocaram numa câmara circular dominada por um poço de luz pulsante. Ali, rodeada por 12 figuras silenciosas, erguia-se uma entidade imponente protegida por uma máscara de bronze em forma de chama. Ao utilizar Detect Magic, Rhian confirmou que tanto a máscara como o braseiro que a figura empunhava brilhavam com uma intensidade mágica cegante, sinalizando o início de um confronto que poderá decidir o destino do vale.


segunda-feira, 9 de março de 2026

Sessão #54 (LotFP)

 

Sessão #54   28/02/2026


A Rhian, exausta e marcada por nódoas negras, lutava para concentrar-se nas suas magias enquanto o grupo lidava com as consequências de um aluimento de terras durante uma noite gelada de primavera. O vazio deixado pelo ato heroico de Valdrick, que se sacrificara contra o Juiz, ainda ecoava entre os companheiros quando um novo vulto surgiu no horizonte das Terras Ermas.


Sob o uivo de ventos fustigantes que faziam pedregulhos e pó dançar entre os penhascos das Terras Ermas, o grupo avançava com cautela pelo terreno. Foi então que, por entre a névoa de poeira à esquerda, surgiu uma silhueta humana em queda livre, empurrada pelas rajadas violentas. O homem executou um meio mortal improvisado, rolando sobre o solo rochoso antes de se erguer a meros dez metros do grupo. Vestido com armadura de couro, arco e um escudo às costas que amorteceu o impacto, o desconhecido exibiu de imediato o instinto de um sobrevivente.


O encontro inicial foi carregado de uma tensão elétrica. Ao avistar o grupo — e em particular a figura robusta do anão Van Revils — o homem levou a mão ao punho da espada, cerrando os olhos para filtrar o pó no ar. Num tom que misturava esperança e incredulidade, ele soltou um grito que cortou a ventania: "Valdrick? Valdrick, és tu?". A voz, embora humana, carregava uma entoação estranha, um sotaque que ressoava como pedra a raspar em pedra, típico da língua anã.

"Quem quer saber?", retorquiu Van Revils, estranhando a familiaridade. O homem, identificando-se como Rais-Manike, não recuou. O diálogo que se seguiu revelou a profundidade das raízes que unem as gentes do norte de Valoria. Quando o grupo confirmou que Valdrick fora seu companheiro de armas, a postura agressiva de Rais desmoronou, dando lugar a um misto de preocupação e uma tristeza ancestral.


A revelação do seu propósito veio com o desembainhar da sua espada — não num gesto de ataque, mas de prova. Rais estendeu a arma com as duas mãos, permitindo que o anão visse a guarda e a lâmina de fabrico inequivocamente anão. Na base da guarda, brilhava a runa pessoal de Valdrick Snowbeard. Rais explicou então a natureza do seu vínculo: o pacto Blah. A sua família servia e protegia a linhagem de Valdrick há três gerações, uma ligação tão forte que o humano era considerado um "filho adotivo" do clã, herdando não só a arma, mas o dever de lealdade.

Ao receber a notícia da morte heróica de Valdrick, Rais fica transtornado, o seu rosto transforma-se numa máscara de luto profundo. Contudo, o seu código militar e o respeito pelo seu mentor falaram mais alto. "Se o Valdrick decidiu manter-se na vossa presença e permitiu que o acompanhassem, é porque sois pessoas de bem", declarou, num momento de introspeção solene. Num gesto de honra, Rais-Manike jurou dedicar os seus esforços às demandas do grupo, vendo neles os herdeiros do julgamento de Valdrick.


O grupo, agora com sete membros (e o fiel obreiro Thaldon), retomou a marcha. Rais, o novo guardião do legado Snowbeard, integrou-se na formação com a promessa de que a sua espada, forjada pelo próprio Valdrick, continuaria a abrir caminho através das sombras das Terras Ermas.


A exploração prosseguiu para oeste, onde a natureza parecia ter sido chicoteada por um fogo antigo. Ali, entre rochas calcinadas e sem vegetação, o grupo descobriu uma fissura colossal que emanava um calor antinatural. Ao descerem pelas escadarias toscas esculpidas na pedra, depararam-se com símbolos perturbadores: uma chama invertida e uma coroa de chamas sobre uma cabeça inchada, pintadas com sangue seco. O mistério desvaneceu-se na escuridão: tratava-se de um local de adoração a Moloch, o Demon Lord da Fome Devoradora, um culto que se julgava extinto há 400 anos.

Nas profundezas da caverna, espiaram um ritual silencioso e brutal. Um clérigo careca, com o peito marcado por queimaduras, conduzia cânticos não-verbais perante dois indivíduos, enquanto as paredes da caverna pareciam pulsar com uma luz mágica. O perigo tornou-se evidente quando, na noite seguinte, a fissura projetou um feixe de luz alaranjada que rasgou os céus, sinalizando o progresso de um ritual sombrio.


A urgência de avisar o Lorde do outpost levou o grupo a bater em retirada, mas o caminho de regresso guardava um último desafio. Uma silhueta alada, um hipógrifo jovem e visivelmente furioso, com marcas de queimaduras no peito, bloqueou a passagem. O grito estridente da criatura paralisou parte do grupo, forçando-os a preparar as armas para um combate que ditará se as notícias sobre Moloch chegarão ao seu destino.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Sessão #53 (LotFP)

 

Sessão #53   14/02/2026


Brandindo o robusto bastão de bronze e carvalho, Edravan soltou um grito que distorceu o ar e despertou as figuras esculpidas nas paredes: um exército de esqueletos que se desprendeu da pedra para cercar os aventureiros.


O combate foi brutal e caótico. Enquanto os aventureiros tentavam recuar para afunilar nas escadas, Van Revils foi marcado por um brilho azulado e perseguido por correntes espectrais que brotavam do chão para o imobilizar. Os guardiões esqueléticos revelaram uma natureza traiçoeira; ao serem destruídos, os seus ossos brancos explodiam em estilhaços letais, ferindo gravemente quem se encontrava próximo. No meio do pó e da escuridão, a situação tornou-se crítica quando o grupo percebeu que a passagem de saída fora bloqueada por um pesado bloco de pedra, deixando-os encurralados com o Juiz e os seus mortos.


Foi neste momento de desespero que o anão Valdrick protagonizou um ato de heroísmo supremo. Já trespassado por uma lança inimiga, lançou-se num ataque final desesperado. O seu machado de batalha cravou-se com uma força devastadora no peito de Edravan, debilitando-o fortemente. Após o ataque brutal ao juiz, Valdrick tomba sem vida aos pés do seu adversário. A Rhian usa a sua sling para selar a vitória, caindo o juiz em cima do corpo do Valdrick. 


Após o silêncio regressar à câmara, o grupo, exausto e em luto, honrou o companheiro caído. Valdrick foi depositado no sarcófago de Edravan, recebendo um funeral digno de um herói. Da câmara fúnebre, os sobreviventes recuperaram itens de grande valor: um corno de prata gravado com um carvalho, uma espada longa cerimonial dourada, vestes de seda fina e um tablete de cera com o selo oficial do Juiz — um carvalho rodeado por correntes.


13 abril 924 


Enquanto o grupo tentava recuperar forças num refúgio próximo, a paz foi novamente interrompida. Durante a madrugada, um calor súbito e antinatural emanou do solo, seguido por um tremor de terra que abriu uma fissura sob o acampamento. O evento deixou o grupo soterrado e profundamente fustigado por uma fadiga extrema. Ao olharem para oeste, em direção à Cidadela de Ferro, avistaram um clarão vermelho no horizonte e ouviram cânticos cerimoniais distantes, sugerindo que forças obscuras continuam a mover-se nas Terras Ermas.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Sessão #52 (LotFP)

 

Sessão #52   31/01/2026


12 abril 924


O silêncio do túmulo foi quebrado pelo som metálico de cotas de malha enferrujadas quando Van Revils tentou remover uma lança de uma das figuras. Seis esqueletos, outrora guardiões, ergueram-se com um movimento seco, forçando o grupo a um combate táctico onde as armas de perfuração se revelaram quase inúteis contra os ossos antigos. Entre o brilho de Magic Missiles que assumiram a forma de folhas primaveris e golpes de maça, o grupo prevaleceu, reduzindo os mortos-vivos a pó e metal retorcido. Uma inscrição nas paredes resumia o seu fado: "Eles juraram vigiar o seu descanso como vigiaram o seu reinado".



À medida que o grupo descia mais um lance de escadas, o ar tornou-se pesado, carregado com um cheiro nauseabundo a mofo e putrefação que os anões compararam, entre dentes, a peixe podre. No centro de uma sala quadrangular, uma mesa de pedra rachada dominava o espaço, rodeada por milhares de fragmentos de barro que cobriam o chão como uma armadilha sonora. Um fresco desbotado na parede oposta mostrava uma figura judicial — um juiz em toga — presidindo a um banquete, ladeado por soldados de cota de malha que ostentavam os mesmos elmos e lanças dos esqueletos derrotados. O teto, atravessado por uma fissura diagonal ameaçadora, pingava humidade, sinalizando a instabilidade de uma estrutura que parecia ressentir-se da intrusão.


A exploração levou o grupo a um arsenal onde banners rasgados com o símbolo do carvalho pendiam de suportes de armas apodrecidos. Ali, enfrentaram quatro esqueletos "explosivos", cujos ossos brancos e robustos estilhaçaram em fragmentos perigosos ao serem destruídos, exigindo reflexos apurados para evitar ferimentos graves. No meio dos destroços, recuperaram uma ponta de lança de bronze, finamente trabalhada na forma de uma folha de carvalho, e um torque de cobre. Mais adiante, numa sala baixa onde ratos gigantes roíam restos de velas, a sorte sorriu aos aventureiros: sob uma laje móvel, descobriram um punhal de prata com um punho esculpido como um carvalho, uma arma valiosa contra as abominações que habitam as sombras.


O clímax da jornada ocorreu na câmara do sarcófago massivo, onde as paredes retratavam exércitos marchando em eterna sintonia em direção ao seu senhor. No rebordo da pedra, a inscrição em Old Valorian deixava um aviso: "Restaurei a paz no vale, que ninguém o perturbe de novo". Ignorando o aviso e a vibração crescente do chão, Rhian utilizou o feitiço Levitate para erguer a tampa colossal. Com um estrondo que ecoou pelas profundezas, a tampa embateu na parede, revelando Lord Edravan. A figura mumificada, vestida em robes verdes e prateados e de olhos em chamas azuis, emergiu do seu repouso empunhando um bastão como se fosse uma maça de guerra.

"Intrusos... vão pagar com as vossas vidas", ecoou a voz sepulcral de Edravan antes do confronto se iniciar. O grupo terminou esta etapa da exploração, preparando-se agora para enfrentar o juiz.


Sessão #58 (LotFP)

  Sessão #58   25/04/2026 A madrugada de 7 de maio de 924 trouxe um prenúncio sombrio através de um sonho vívido de Aelbrin....