Sessão #48 08/11/2025
O Valdric diz para o Van Revils:
Ouve lá… aquele braço… será que mexe?
O Hob disse que já viu estátuas destas a mexer…
O Aelbrin verifica se a corrente se move. Está morna, move-se e está sob tensão.
O Valdric fala para a Rhian:
Oh Rhian, não queres colocar as garnets no braseiro?
Eu não tenho as garnets — responde a Rhian.
Estão aqui no saco - complementa o Van Revils.
Não queres experimentar meter uma no braseiro? - retorque o Valdric.
Vai lá tu. Toma lá - conclui o outro anão.
O Valdric, em bicos de pés, coloca uma garnet no braseiro, contudo, nada acontece, recuperando-a de seguida.
Segurando a lanterna, o Aelbrin inicia a descida pelas escadas do lado esquerdo. O restante grupo segue-o, passando os anões para a frente. As escadas descem cerca de três a quatro metros, seguidas de um corredor com três metros, terminando numa porta. Pegadas continuam a ser visíveis em ambos os sentidos. O Valdric ao abrir a porta, vê um novo corredor, que se estende para lá de onde a luz alcança, com paredes lisas, sem qualquer tipo de adorno. Mais pegadas seguem em ambas as direções, contudo, há um tipo de pegadas diferentes, marcas tênues de pés descalços. Olhando para os rastos, o Hob diz que se trata de passagens recentes e que estão a apanhar a cinza que já aqui se encontra, daí serem mais tênues. O ar no corredor não está tão abafado como nos restantes locais.
Caminhando alguns metros, a nossa luz mostra-nos um pouco mais do caminho, até que chegamos a um ponto em que vemos outra porta, que se encontra aberta e assim se mantém devido a um espigão que a prende. Quando estamos a cerca de quatro metros dessa porta, junto dela surgem duas figuras. Têm buracos na zona do coração, sendo que uma é um elfo com três marcas de queimaduras, a outra é uma mulher clériga, a Brandwin. Estão nus e cobertos de sangue seco. Entram no corredor e seguem na nossa direção. Sente-se mais movimento atrás das figuras.
Atiram-se os frascos com a holy water. Apesar dos arremessos desajeitados, vemos fumo proveniente da Brandwin. O combate prossegue com ataques à distância. Às duas figuras, juntam-se mais três, que se aproximam de nós. Sucedem-se ataques de ambos os lados, com ou sem sucesso, até que os inimigos começam a tombar. A Ithil junta-se à frente de batalha, sedenta de abater a clériga, contudo, perde o equilíbrio e fica vulnerável. Sofrendo uma pancada, cai inanimada. Estranhamente, o Van Revils não fica feliz com a queda da elfa. Os anões avançam em bloco para proteger a companheira caída. Os combatentes lutam encarniçadamente, até que o Valdric é ferido com gravidade. O Aelbrin usa um pergaminho e cura o anão ferido. As partes prosseguem implacavelmente os seus ataques, ora falhando, ora acertando sem efeitos visíveis. Uma vez mais, o Valdric é atacado e fica em mau estado. Recua e toma uma poção de cura que tem um sabor a livros velhos. Por fim, os inimigos são derrotados com o empenho de todo o grupo.
Todos acodem à Ithil e é-lhe dada uma poção de cura, despejando-a pela goela abaixo.
Um brilho surge na boca da elfa, que subitamente abre os olhos. Vê os anões a fitá-la e o Aelbrin a segurar algo. Levanta-se parcialmente recuperada.
Descansamos um pouco para recuperar o fôlego.
Chegando à ombreira da porta, constatamos que nos encontramos na sala que tem o púlpito, entrando pela porta que vimos à direita quando estávamos no varandim.
As paredes estão cobertas de fuligem e há correntes penduradas, vindas do teto. Há quatro braseiros, nos cantos da sala, e encontram-se tombados, daí emitirem baixa luminosidade. Nota-se que têm rachas e falhas devido ao uso intensivo. O piso é dominado pela gravura em baixo-relevo que ocupa quase toda a sala, com doze metros de diâmetro. Trata-se de um esqueleto envolto em chamas e correntes, com a boca totalmente aberta, com uma depressão com um palmo de profundidade e está coberta de sangue fresco, pastoso. Nas laterais, por trás da fuligem, consegue-se distinguir dois murais ainda com cor, mas esbatidos, tratando-se de correntes, o que dava um efeito tridimensional. O púlpito é em basalto maciço e encontra-se na zona onde seria o coração. Verifica-se que foi retirado algo semelhante a um tomo, devido às marcas do pó. Existem sinais claros de combate.
Examina-se com minúcia a sala. Sente-se uma ligeira opressão. O Hob e a Ithil estão a admirar os murais, mas a elfa nota que na parede em frente ao local por onde entramos, junto do varandim, parece haver uma racha. Olhando com mais atenção, a fissura parece semelhante aos contornos de uma porta. Tocando em alguns pontos, sente uma ligeira corrente de ar e no centro dessa estrutura, por baixo da fuligem, tem um símbolo que lhe é familiar, uma espiral de chamas. Alerta os companheiros, para se aproximarem e mostra-lhes o que encontrou.
A Rhian encaixa o amuleto de ônix que cabe na perfeição. Escuta-se um baque e sai pó dos contornos da estrutura, ficando claro para todos que se trata de uma porta, que recua um pouco e desliza para o lado. Vê-se uma passagem pequena, com cerca de três metros, que depois abre para um espaço mais amplo. Não existem pegadas neste local. Avançamos para o espaço que se trata de uma sala retangular de nove por doze metros. O ambiente é claramente mais calmo do que qualquer uma das outras salas em que estivemos, sem sensações de opressão. O ar é frio, corre uma ligeira aragem, muito subtil, mas que a Ithil capta com facilidade. As paredes parecem cobertas com frescos, mas bastante esbatidos, existindo mesmo bastantes fissuras nas paredes e no teto. Nos frescos vê-se a figura semelhante à gravura da sala anterior, um esqueleto envolto em chamas e correntes e figuras encapuzadas com feições indistintas, mas com chamas a sair da boca, ajoelhadas na direção da divindade. Existem alguns bancos em pedra espalhados pela sala, como para serem usados para admirar os frescos. O chão é mais liso do que em qualquer outro sítio da estrutura e quando se dá um passo, a luz da lanterna parece diminuir ligeiramente. Dois bancos estão partidos, com gravilha e bocados de pedra. Verificamos como se acessa a esta sala, pelo exterior e pelo interior. Dentro permite abrir e fechar a porta. Por fora, só com o amuleto é possível aceder ao espaço.
Divide-se o grupo, uns dentro, outros fora, e recupera-se o amuleto. Explora-se a sala. Não existem saídas. Num dos bancos partidos estão restos de ferramentas de bronze, como taça esmagada, uma corrente de queimador de incenso partida e um instrumento de escrita em cobre todo retorcido. Encontramos, também, uma máscara de bronze escurecido, com a boca aberta, como se estivesse a gritar, com a dimensão para ser usada por um humano, em melhor estado. Não há mais nada digno de nota. Voltamos para a sala anterior.
Além do varandim, vê-se uma porta exatamente em frente ao local onde entramos, na parede oposta. Os anões abrem a porta e veem um corredor, que se estende por seis metros, até algo que parece ser umas escadas a descer. Notam-se pegadas em ambos os sentidos, incluindo as dos cães do Lord.
Avançamos até as escadas e descemos, cerca de três ou quatro metros até que chegamos a um corredor que segue sempre a direito. Seguimos pelo corredor, cerca de seis metros, até desembocar numa câmara bastante vasta. Ao iluminar essa câmara, a luz parece ser propagada. Terá cerca de doze metros de largura por trinta de profundidade. Sente-se uma opressão palpitante, sem ser tão forte como o que sentimos em salas anteriores.
A câmara é dominada por uma colossal estátua de basalto do Azkharon, em figura de esqueleto em chamas, sentado num trono com quatro metros de largura, feito de correntes e chamas. A estátua terá cerca de quatro a cinco metros de altura. Encontra-se ligeiramente inclinado para a frente. A sua boca está aberta, com um buraco escuro nessa cavidade, e os seus olhos parecem ser feitos de vidro vulcânico que refletem a luz quando lhe incide. A estátua encontra-se num nicho semicircular, na parede oposta à entrada. Entre onde estamos e o trono, estende-se uma piscina, que ocupa toda a extensão da sala em largura, como um fosso, sem qualquer local de passagem para a outra margem.
A piscina tem à superfície uma substância aparentemente espessa, oleosa, de cor escura, parecendo uma mistura de cinza e água. O ar aqui é bastante pesado, é difícil de respirar profundamente e existe um cheiro acre que invade as nossas narinas, assim como o odor a queimado. Irradia um ligeiro calor da piscina, como se tivesse um braseiro embaixo a aquecer a água. A superfície está tranquila e encontra-se a cerca de meio metro abaixo do nível do solo, havendo umas escadas laterais para aceder. No lado oposto, em frente à estátua, há uma escadaria que desce, a meio, cerca de meio metro. A piscina terá cerca de doze metros de largura e um pouco mais de vinte metros de extensão. Parece que a piscina irradia a nossa luz, iluminando toda a câmara. O Aelbrin usa um grappling hook e uma corda para sondar a profundidade da piscina. Logo que a corda entra em contacto com o líquido, começa a fumegar. É retirado de imediato e nota-se que a corda estava a ser corroída, mas o gancho não sofreu qualquer dano, apesar de pingar a substância viscosa. Parece um ácido. O Valdric usa o frasco da poção de cura que bebeu para recolher um pouco do líquido de cor escura. Não percebendo como progredir, retornamos à plataforma da estátua com o braseiro pendurado na boca.
Descemos pelas escadas não exploradas. As escadas descem cerca de três a quatro metros, seguidas por um corredor com três metros, terminando numa porta. Pegadas continuam a ser visíveis em ambos os sentidos. O Valdric abre a porta e vê um corredor até onde a luz alcança, cerca de nove metros, mas a três metros existem duas reentrâncias, que poderão ser corredores ou aberturas. Mais à frente a luz permite ver mais duas reentrâncias, espaçadas. As pegadas chegam junto à ombreira da entrada e não avançam dessa zona. Sente-se o cheiro a incenso velho, bastante intenso. O Aelbrin recorda o seminário, junto dos seus colegas, quando os tentava enganar para irem às catacumbas, onde estavam sepultados os membros mais antigos da ordem. Desafiava os colegas a entrar com apostas, porque se dizia que as câmaras funerárias estavam assombradas. Partilha essa recordação com o grupo. O Valdric fala mas interrompe subitamente o que ia dizer, quando se lembra do que aconteceu na sala do púlpito:
Os mortos não fazem mal a ning…
Depois de uns momentos de reflexão, avançamos até a primeira intercessão, cerca de três metros. O corredor continua em frente. As reentrâncias são câmaras fechadas, com cerca de três metros de largura por seis de comprimento. Perto da parede do lado oposto da entrada, há um sarcofago de pedra. As paredes são lisas, mas os sarcófagos são detalhadamente esculpidos, com chamas e correntes enroladas. Caminhamos até o sarcófago da direita. Percebe-se que no topo existe um relevo mas imperceptível para os anões. O Aelbrin curioso avança para averiguar. Verifica tratar-se de uma figura humanoide, com vestes, mas não se veem feições. Fica receoso ao aperceber-se de que a figura é muito magra, esguia e comprida, fazendo duvidar se efetivamente se trata de um humano.
Percorrendo todo o corredor central, constata-se que existem três pares de corredores, seis sarcófagos no total. Ao fundo há algo semelhante a uma alcova, com um pequeno altar em pedra, sobre o qual está uma estátua de basalto pousada, com cerca de trinta centímetros de altura e semelhante à figura que segura a corrente e braseiro pendurado na boca. Há também restos de velas queimadas. Todos estão reticentes em abrir os sarcófagos, excepto o Valdric. Quando se prepara para abrir o primeiro túmulo, o Van Revils convence-o de que será melhor deixar as coisas como estão e regressar a um local seguro. O Valdric acede à solicitação do companheiro.
O grupo faz o percurso inverso, até chegar à sala do poço, descendo com calma. Esgotam-se as provisões de óleo, guardam-se as lanternas e usam-se as velas para iluminar o caminho. Foi trazido um braseiro pequeno que iluminou o espaço durante o descanso. Enquanto se aguarda pelo cair da noite, o Aelbrin aplica os seus conhecimentos de primeiros socorros e trata o Valdric, esgotando as suas provisões.
Depois da noite cair, saímos para as cavernas dos macacos, fazendo todo o caminho inverso, até o exterior e sem qualquer percalço. Ao abrigo da noite, subimos a escadaria ao longo da escarpa, somente iluminados por uma vela. A meio da subida passamos pela plataforma com a porta de pedra. Concluímos a subida, chegamos ao topo da falésia e rumamos de volta para o outpost. A moral do grupo sobe ao sentir o ar fresco, especialmente a Ithil, que suspira de alívio, ao que o Van Revils diz:
Nunca pensei fazer um elfo feliz. 😂
A elfa sente-se lisonjeada, mas também não está propriamente orgulhosa de ser amiga de dois anões.
5 março 924
Durante a madrugada chegamos à entrada do outpost, que se encontra fechada.
Surge uma cabeça a espreitar, parece um elemento da milícia. Com os olhos semicerrados, olha para nós, iluminados pela sua lanterna e exclama:
Aaaaaahh - boceja - São vocês? Ainda é de noite…
Fala para baixo:
Abre aí!
Abrem os portões daquela cerca e entramos, rumando para as long houses. Descansamos até de manhã.
Algumas pessoas vêm ter connosco, que já nos conhecem.