Sessão #46 11/10/2025
Prosseguindo a exploração, juntamente com as pegadas humanas, vêm-se pegadas de cães grandes. Especulamos que poderão ser do grupo do Lord que tenha andado por aqui. Contudo não usaram a mesma entrada que nós.
Chegamos a uma grande câmara, onde existem pilares com bacias, onde luminosidade emana de brasas. Estas não emitem calor e quando são retiradas da bacia, apagam, mas quando colocadas de novo, voltam a luzir.
Vê-se um varandim numa das paredes, a quatro metros de altura.
O Hob, na companhia do Valdric, vai escutar à porta existente. Não escutando nada, decide abrir. A luz ilumina uma caverna, não muito grande, cerca de trinta por trinta pés, irregular. Ao fundo à direita há uma passagem. Com a incidência de luz nas paredes, veios de minério brilham. Não se vê o teto. Ouvem-se pingas a cair. As pegadas param junto da ombreira da porta, não tendo entrado, apesar de terem aberto a porta. Sentimos uma sensação estranha, proveniente da caverna, mas não conseguimos identificar bem o que é.
O Van Revils usa um gancho e corda para subir.
A Ithil observa as paredes, que se encontram com fuligem. Não vendo algo de interesse, decide ajudar o anão.
O Valdric pergunta:
Qual anão?
O Van Revils responde:
Eu não preciso da ajuda de elfos. Segura aí na corda.
Alguém diz:
Não caias de costas…
Alguém ri, lembrando um camarada já tombado. (Caradoc)
Sobem todos, deixando rastos na parede.
Olhando para a caverna de onde viemos, a luminosidade das brasas dá uma visão fantasmagórica.
Está escuro, mas parece haver escadas que sobem do varandim. Parecem também haver pegadas no varandim, mas não escalaram para ali chegar, tendo acedido por outro local. Finalmente a luz mostra que o varandim abre para um salão, onde pegadas vão e vêm.
O salão tem cinquenta pés de largura. Além das pegadas, veem-se marcas no chão de algo semelhante a uma explosão, mas sem conseguir apurar a origem e são claramente recentes. Se existiam pegadas nessa área, estas foram cobertas pela explosão. Os nossos passos ecoam pelo espaço, escutando-se de forma deslocada da origem.
Alguns metros à frente, percebemos a real dimensão do salão, cinquenta por setenta pés. A meio da parede mais comprida, existe uma abertura com corredor de três metros, seguido de uma escadaria a descer. No centro do salão existe uma elevação no chão com vários dedos de altura, circular e onde cabem várias pessoas, feita de obsidiana e da qual parecem emanar as marcas, como se um calor intenso se espalhasse daquele centro.
Sente-se um odor metálico no ar ao chegar próximo da plataforma. A Rhian pousa uma vela na plataforma, mas nada acontece, até a retirar. Quando lhe pega, a cera pinga, como se estivesse a derreter sob um calor intenso, mas sem a fonte visível. Assustada, deixa cair a vela até que derrete toda, deixando o pavio intacto e uma mancha de cera no chão. No lado oposto ao varandim por onde subimos, existe um outro varandim mais amplo e maior.
Apagamos as luzes e aproximamo-nos do outro varandim. Vêem-se quatro pontos de luz, separados e equidistantes uns dos outros, cerca de vinte metros. São brazeiros semelhantes às bacias do compartimento anterior. Permitem perceber que o chão e as paredes têm fuligem e existem correntes enferrujadas e escuras, penduradas junto às paredes.
O salão terá cerca de cinco a seis metros de altura, retangular com cerca de vinte metros de cada lado.
Acabamos por seguir pelo corredor das escadas, que descem durante cerca de seis metros, até um corredor com trinta pés. No final vira à direita, estendendo-se por mais quarenta pés, terminando numa porta. Ao abrir a porta verificamos que chegamos à sala do poço, por onde subimos. Daí voltamos até a porta que deixamos aberta, na sala dos braseiros e onde subimos para o varandim.
Entramos na caverna que não é muito larga e bastante irregular, mas não se vê o teto, fazendo-a parecer um poço. Ao caminhar, a Ithil e o Van Revils têm a mesma sensação de eco estranho, mas mais forte. A Ithil por vezes parece que ouve vozes na escuridão, provenientes do alto.
Ao fundo do lado direito parece haver um corredor lateral. O chão é irregular e tem muito material solto, pedras, partes com cinza acumulada que, quando é pisada, é um buraco. A probabilidade de cair nesta área é grande. A Ithil partilha com os companheiros o que ouve, depois de lhes pedir para fazerem silêncio por uns momentos.
O Aelbrin fala em voz alta:
Teste.
Todos ouvem a voz do Aelbrin de forma natural, contudo, ele ouve de forma meio distorcida, misturada com risadas e tom zombeteiro. Apesar de se calar, continua a escutar essa voz, ficando em estado paranoico.
O Van Revils fala em língua anã, a palavra “fogo”, assemelhando-se a pedras a crepitar. Todos ouvem. O som propaga-se ao longo da caverna, para o alto. Depois todos escutam os murmúrios e sussurros já mencionados pela Ithil mas sem proferir qualquer palavra.
Seguimos para o corredor e já junto dele, vemos umas escadas talhadas na rocha de modo tosco, a descer, desembocando em novo corredor bastante curvo, que parece um U. Continuamos a ouvir ecos não naturais.
No final do corredor há uma porta. Junto à porta os ecos diminuem e tornam-se quase inaudíveis. Não se ouve barulho para lá da porta. O Valdric abre a porta.
Vê-se uma câmara abaulada, construída e esculpida. Tem formato retangular de trinta por quarenta pés, mas mais à frente abre para uma outra sala. Nas paredes da entrada, veem-se relevos em bronze de máscaras humanoides com a boca aberta e de onde emana fogo. Também são visíveis figuras ajoelhadas que veneram algo. Todos os relevos demonstram sinais brutais de desgaste pelo tempo e deformações de calor. Ao fundo nota-se um brilho semelhante às bacias, mas não tão intenso, mais suave.
Quem está à frente sente o ar mais pesado, tendo dificuldades em respirar e sente uma certa opressão. Avançando para a outra sala, todos sentem a opressão.
A sala terá cerca de trinta por trinta pés, totalmente fechada. Três filas de bancos de carvalho, aspeto antigo, estão enviesadas, mas parecem mais para ajoelhar do que sentar. Ao fundo vê-se uma plataforma semelhante a uma já vista, mas mais pequena, também em obsidiana, possuindo as marcas no chão, como se chama, emana-se até as paredes atrás. O piso em torno da plataforma tem rachas que parecem acompanhar as marcas do fogo. Dessas rachas emana a luminosidade vista à entrada, como se fosse um forno debaixo dos nossos pés, mas não se sente calor.
A plataforma tem uma inscrição que diz: “Flame is breath, kneel and be hollowed”, “A Chama é um sopro, ajoelha-te e sê esvaziado”. A opressão aumenta gradualmente, como se a permanência no espaço tivesse influência. O Van Revils e o Valdric, ao avançar, sentem debaixo dos seus pés, sob a pedra, uma espécie de batimento, como se fosse um ritmo cardíaco de uma fornalha a morrer.
O clérigo ajoelha-se num dos bancos. Todos sentimos a opressão que parece estar a chegar a um limite no qual pode acontecer alguma coisa. O Hob, a Ithil e a Rhian saem da sala. O Van Revils e o Valdric aproximam-se da plataforma. O silêncio é quebrado pelo som do martelo e da lanterna a cair no chão, largados pelo Van Revils, enquanto este está catatónico a fitar a parede. O Valdric ajuda o anão a sair enquanto o Aelbrin recupera os itens e os segue para o exterior da sala. Todos os que se encontram no corredor sentem um alívio.
O Valdric fala para o Van Revils:
Camarada… Então, parceiro?
Safei-te de boa. - responde o Van Revils, prosseguindo:
Vocês não queriam sair. Tive que simular isto para vocês saírem.
O Valdric agradece. Dissimuladamente, o Van Revils limpa uma gotinha de suor que lhe escorre pela fronte. 😂
Lembra-se de ter sentido a opressão a vencer, sendo invadido por uma sensação de desespero e congelou.
Voltamos à câmara do primeiro varandim e vasculhamos as urnas que estão nas prateleiras. O Aelbrin encontra um pó metálico comprimido, talvez ouro. Lembra-se de que é algo que é usado em rituais religiosos. A Rhian encontra um amuleto em ônix preto, sem fio, com a forma de uma chama em espiral, frio ao toque. A Ithil encontra um invólucro de pergaminho. No interior está um pergaminho que o clérigo reconhece como um feitiço de “Cause Fear”, trata-se de um feitiço da sua classe, “Remove Fear” invertido.
Voltamos até à sala dos varandins, vislumbrando a área do maior. A vinte pés abaixo vê-se o chão. Parece haver pegadas. A meio da sala há uma gravura em baixo-relevo, mas é colossal, quase do tamanho da sala. Parecem ser visíveis pernas no relevo. Há uma estrutura no limite da nossa luz, aparentemente no centro da sala, semelhante a um púlpito voltado para o varandim.
O Valdric desce pela corda, para a escuridão. De seguida descem uma lanterna. Há rastos de cinza onde o Valdric está, mas não se pode dizer que são pegadas. Avança trinta pés em direção ao centro da sala, junto ao púlpito. Com essa luminosidade, quem está no varandim consegue visualizar a totalidade do relevo, que tem cerca de quarenta por quarenta pés. É algo gigante, ocupando a maior parte da sala. Vemos uma figura quase em forma de esqueleto, envolta em chamas, cujo corpo é formado por correntes e fogo entrelaçados. A boca está bem aberta, esculpida como se fosse um buraco negro sem fundo, bem escurecida. Quando a luz incide no púlpito, percebe-se que é de basalto e está na zona que seria o coração da figura representada no relevo.
Varandim
O Aelbrin, associando tudo isso, lembra-se de imagens e gravuras que representam uma divindade esquecida, à qual não existe qualquer culto, mas existem relatos e informações espalhadas. Sabe que o nome dessa divindade é Azkharon e que está associado ao fogo e desespero, os seus domínios. Esta informação é recolhida de textos obscuros, obtidos em diversos locais, como na biblioteca dum mosteiro remoto em Valurya, inscrições em criptas que lhe fazem referência. Existem relatos a um tomo, grimório religioso com rituais associados ao fogo e desespero, considerado sagrado para os seguidores desta divindade, mas são artefatos perdidos no tempo.
Sem contexto adicional, há também a noção de ser o “First Scion of the Ashen Throne”. O clérigo sabe que se trata de uma divindade à qual há muitos rituais associados. Rituais puramente e religiosamente simbólicos, assim como rituais com magia associada.
Enquanto o Aelbrin relata esta informação ao grupo, na luz, começam a surgir figuras provenientes dos cantos mais escuros. Do varandim reconhecem as figuras, que se encontram nuas e cobertas com sangue, na zona do coração está um buraco, são cinco ao todo, dois homens, uma mulher e dois elfos, andando vagarosamente na direção do Valdric. Parece o grupo da Miriam.
O anão corre em direção à corda e começa a subir, deixando a lanterna para trás. A Ithil dispara com o arco acertando uma seta numa das figuras, mas sem efeito aparente. A slingada do Van Revils falha. O Hob escorrega, precisando de tempo para se recompor. A Rhian levanta a mão da qual saem vários projéteis mágicos, acertando num dos elfos, iluminando a zona. As figuras aproximam-se da zona da corda, debaixo do varandim, deixando de ficar visíveis.
O grupo ajuda o Valdric a subir, puxando pela corda. Olhando para baixo, vê-se a luz a mexer e ouvem-se murmúrios. A luz começa a diminuir, até apagar por completo, mas os murmúrios ainda são audíveis. O Valdric descreve o pouco que viu. Não encontrou portas ou passagens. Parecia haver gravuras nas paredes e havia correntes penduradas nas paredes. Junto ao púlpito havia sinais de batalha. Acende-se uma vela e atira-se o mais longe possível, que cai perto do púlpito. Não só não apagou, como ficou de pé. 💪
Esperamos algum tempo e nada se aproxima da vela. Atira-se um frasco de óleo com fogo para a zona debaixo do varandim. Arde durante algum tempo, iluminando o local, mas não se vê qualquer figura.
Descemos o Hob com uma corda. Ele vê restos de óleo a arder e a lanterna toda chamuscada. Recupera a lanterna. Desloca-se um pouco, até onde a corda permite. Consegue ver paredes, sem portas ou passagens. Apercebe-se que numa parede, por trás das correntes penduradas, parece haver um mural muito grande. O próprio mural dá efeitos tridimensionais, devido às correntes penduradas, juntamente com as gravuras de correntes a descer em chamas. O mural está desgastado, com falhas e partes cinzentas. Do outro lado existem coisas semelhantes.
Içamos o halfling. Curiosamente não houve mais sinais das figuras. O que as terá atraído?